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Câmara aprova 'brecha' para aumentar fundo eleitoral

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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Câmara aprova 'brecha' para aumentar fundo eleitoral


BRASÍLIA – O plenário da Câmara aprovou na noite desta terça-feira, 3, projeto de lei que abre brecha para aumentar o valor do fundo eleitoral a ser usado no financiamento das campanhas de candidatos a prefeitos e vereadores, em 2020. A votação ocorreu horas depois de o governo admitir revisar para baixo, após constatar um erro, o valor de R$ 2,5 bilhões que havia destinado ao fundo na proposta orçamentária enviada na sexta-feira ao Congresso.

Foram 263 votos a favor e 144 contra. Embora o texto-base aprovado não fixe um valor para o fundo, os congressistas esperam engordar esse caixa, mesmo com a crise fiscal enfrentada pelo País. A ideia dos parlamentares foi deixar a quantia em aberto para definição na discussão do Orçamento.

O projeto que passou pelo crivo da Câmara também amenizou punições, ressuscitou a propaganda partidária no rádio e na TV e alterou regras eleitorais e partidárias. A votação foi uma resposta ao anúncio da equipe econômica de que corrigiria a previsão do valor que será usado para bancar campanhas em 2020.

A estimativa do governo é de que a cifra caia para R$ 1,86 bilhão, uma redução de 27% em relação aos R$ 2,5 bilhões da proposta orçamentária enviada ao Congresso.
Foi depois disso que partidos do Centrão se juntaram à oposição e fecharam um acordo para aprovar o projeto que deixa em aberto os valores para o fundo. Os destaques, que podem alterar o texto, deverão ser votados nesta quarta-feira. Depois disso, o texto seguirá para o Senado.

As mudanças no projeto foram articuladas pelo deputado Paulinho da Força (SP), presidente do Solidariedade. O parlamentar propôs mudança na regra que define o fundo eleitoral, que hoje tem seu valor determinado por, no mínimo, 30% das emendas de bancadas estaduais, além da compensação fiscal de propaganda partidária na TV e rádios. O texto aprovado também estabelece que, se um partido abrir mão do dinheiro do fundo eleitoral, esse montante será redistribuído entre as demais legendas.

O texto aprovado deixa indefinido o montante das emendas que irá compor o fundo – determinado pela Lei Orçamentária Anual (LOA) –, abrindo brecha para que seja mais do que os atuais 30%. Caberá ao relator do projeto de lei da LOA estabelecer o valor.
O acordo foi costurado com aval de líderes do Centrão – bloco informal que reúne partidos como DEM, PP, PL, Republicanos (ex-PRB), Solidariedade – e também do PT.

Uma manobra para construir um “plano B” e aumentar o valor destinado a campanhas eleitorais já havia sido discutida antes pelos parlamentares, sem avanços. Durante a negociação da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), o deputado Cacá Leão (PP-BA) chegou a anunciar a retirada de um projeto de aumento do fundo, que poderia chegar a R$ 3,7 bilhões. O recuo foi motivado pela reação das redes sociais e também por críticas do presidente Jair Bolsonaro ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

No ano passado, os partidos receberam R$ 1,7 bilhão de fundo eleitoral. O Ministério da Economia chegou a divulgar uma previsão de R$ 2,5 bilhões para 2020 na sexta-feira, mas depois mudou os números, alertado para um erro no cálculo pelo líder do Novo na Câmara, Marcel Van Hattem (RS).

Líderes partidários se reuniram ao longo do dia para fechar os últimos detalhes do novo texto. Partidos como o PSL – sigla de Bolsonaro –, Novo e PSOL se manifestaram contra o aumento dos gastos do fundo eleitoral. "O Novo é contra o uso do fundo eleitoral por princípio. É um deboche essa regra", disse Van Hattem.

Despesas
Além de afrouxar regras para as legendas, o texto aprovado prevê alterações que podem trazer novos custos indiretos à União, como a volta do programa partidário no rádio e na TV, extinto em 2017 para criação do fundo eleitoral. A proposta permite, ainda, que as siglas usem o dinheiro para impulsionar postagens na internet, previstas apenas como gastos eleitorais.
Outra regra que pode ser flexibilizada se refere ao pagamento de advogados em defesa de filiados. Em maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) endureceu as penas impostas aos partidos no julgamento das contas anuais e proibiu que partidos paguem a defesa de investigados.
Para exibir as peças publicitárias dos partidos, o governo concedia benefícios fiscais a emissoras de TV e rádio. De acordo com a lei que criou o fundo eleitoral, esse valor da compensação fiscal seria revertido para as despesas de campanhas.

Cálculos
Segundo nota técnica do partido Novo, porém, o governo somou um valor errado e considerou todo o ano de 2016, ano em que só houve propaganda dos partidos no primeiro semestre. Como era ano eleitoral, no segundo semestre foi ao ar a propaganda eleitoral dos candidatos. De acordo com o Ministério da Economia, quando a Receita Federal enviou os cálculos da compensação da propaganda de televisão os dados não estavam desagregados, o que acabou inflando o número.

Em postagem no Twitter, na noite de sábado, Bolsonaro afirmou que o valor maior em relação a 2018 estava previsto em lei e levava em consideração a compensação fiscal da propaganda partidária de rádios e televisões corrigida para 2020. Ele disse ser fake news que tenha aumentado em R$ 800 milhões o fundo eleitoral e publicou documentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tratavam sobre o cálculo do fundo.

Na prática, é a partir da proposta enviada pelo governo que o Congresso define como serão gastos os recursos públicos no próximo ano. Com o valor de R$ 2,5 bilhões, proposto anteriormente, o PSL de Bolsonaro poderia receber uma quantia 26 vezes maior do que a obtida no ano passado para custear gastos de campanhas eleitorais. Seriam R$ 251,1 milhões, de acordo com cálculo do Estado. O PT, em segundo no ranking, seria contemplado com um montante parecido, de R$ 251 milhões.

Estadão

 

Ministro do STF suspende o pacote anticorrupção desfigurado na Câmara

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016


Decisão do ministro Luiz Fux pegou muita gente de surpresa em Brasília.
Ele diz que, por ser proposta de iniciativa popular, tramitação seria diferente.



Um ministro do Supremo Tribunal Federal mandou voltar para a Câmara um projeto de medidas anticorrupção que os deputados receberam por uma iniciativa popular e desfiguraram em uma série de votações que causaram grande tumulto político.

A medida liminar, provisória, do ministro Luiz Fux já provocou o presidente da Câmara a falar em interferência de um poder sobre o outro. Veja os detalhes com a repórter Letícia de Oliveira.

A liminar suspende o pacote anticorrupção no que parece ser mais uma rodada de enfrentamento entre Judiciário e Legislativo. Essa decisão pegou a muitos de surpresa em Brasília.

O pedido do deputado Eduardo Bolsonaro, do PSC, foi para anular a votação da emenda que incluiu nas 10 medidas de combate à corrupção a possibilidade de punição a juízes e integrantes do MP por abuso de autoridade, mas o ministro Luiz Fux decidiu anular a tramitação de todo o pacote anticorrupção, que já está no Senado.

Na decisão, o ministro Luiz Fux afirmou que, na votação da Câmara, houve evidente "sobreposição do anseio popular pelos interesses parlamentares", "frustrando a intenção da sociedade de apresentar uma proposta de acordo com os seus anseios". Segundo ele, houve afronta aos preceitos democráticos e ao devido processo legislativo por conta da distorção do tema-alvo da proposta de iniciativa popular.

Até o relator das 10 medidas na Câmara, o deputado Onyx Lorenzoni, estranhou. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz que vai recorrer e criticou a decisão.

O ministro Fux já previa essas críticas e explicou que essa decisão de mandar voltar à estaca zero a análise de proposta de iniciativa popular vale só para o que ainda não virou lei, para o que ainda está em discussão aqui no Congresso.

Ele justificou a urgência pra concessão da liminar dizendo que havia o risco de que as 10 medidas fossem votadas ainda pelo Senado. É que, por tratar também de abuso de autoridade, o pacote anticorrupção poderia ser apensado, analisado junto com o projeto de abuso de autoridade que o presidente do Senado, Renan Calheiros, tentou colocar em pauta, mas depois dos protestos da maioria dos senadores, o pedido de urgência para a votação do projeto foi derrubado. Agora a proposta vai para a Comissão de Constituição e Justiça e não deve ser analisada neste ano.

 

Letícia de OliveiraBrasília, DF/ G1
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