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(07) de Setembro - Dia da IndependĂȘncia do Brasil

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

/ by Portal Casa Nova
Denomina-se IndependĂȘncia do Brasil o processo que culminou com a emancipação polĂ­tica do territĂłrio brasileiro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), no inĂ­cio do sĂ©culo XIX, e a instituição do ImpĂ©rio do Brasil (1822-1889), no mesmo ano. Oficialmente, a data comemorada Ă© a de 7 de setembro de 1822, em que ocorreu o chamado "Grito do Ipiranga". De acordo com a historiografia clĂĄssica do paĂ­s, nesta data, Ă s margens do riacho Ipiranga (atual cidade de SĂŁo Paulo), o PrĂ­ncipe Regente do Brasil, entĂŁo D. Pedro de AlcĂąntara de Bragança (futuro imperador Dom Pedro I do Brasil), terĂĄ bradado perante a sua comitiva: "IndependĂȘncia ou Morte!". Determinados aspectos dessa versĂŁo, no entanto, sĂŁo contestados por alguns historiadores em nossos dias.

A moderna historiografia em histĂłria do Brasil remete o inĂ­cio do processo de independĂȘncia Ă  transferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil, no contexto da Guerra Peninsular, a partir de 1808].

A transferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil (1807-1821)













A partir de 15 de julho de 1799, o PrĂ­ncipe do BrasilD. JoĂŁo Maria de Bragança, tornou-se PrĂ­ncipe-regente de Portugal, pois sua mĂŁe, a Rainha D. Maria I, foi declarada louca pelos mĂ©dicos. Os acontecimentos na Europa, onde NapoleĂŁo Bonaparte se afirmava, sucederam-se com velocidade crescente.

Desde 1801 que se considerava a ideia da transferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil. As facçÔes no governo portuguĂȘs, entretanto, se dividiam:

  • a facção anglĂłfila, partidĂĄria de uma polĂ­tica de preservação do ImpĂ©rio Colonial PortuguĂȘs e do prĂłprio Reino, atravĂ©s do mar, apoiados na antiga aliança Luso-BritĂąnica; e

  • a facção francĂłfila, que considerava que a neutralidade sĂł poderia ser obtida atravĂ©s de uma polĂ­tica de aproximação com a França.


Ambas eram apoiadas pelas lojas maçÎnicas quer de origem inglesa, quer de origem francesa. Considere-se ainda que as ideias iluministas francesas circulavam clandestinamente em livros, cada vez mais abundantes.

A decretação do Bloqueio Continental em Berlim (1806) tornou mais difĂ­cil a neutralidade Portuguesa. Em 1807, o Tratado de Fontainebleau dividiu arbitrariamente Portugal em trĂȘs reinos. Desde Outubro desse ano, Jean-Andoche Junot, antigo embaixador francĂȘs em Lisboa, preparava-se para invadir Portugal. Foi nesse contexto que D. JoĂŁo pactuou com a GrĂŁ-Bretanha a transferĂȘncia do governo para o Rio de Janeiro, sob a proteção dos Ășltimos.

Com a invasĂŁo francesa de Portugal em progresso, a 29 de novembro de 1807 iniciou-se a viagem da FamĂ­lia Real e da Corte Portuguesa. Dezoito navios de guerra portugueses e treze ingleses escoltaram mais de vinte e cinco navios mercantes de Lisboa atĂ© Ă  costa do Brasil. A bordo seguiam mais de quinze mil portugueses. O Reino ficava a ser governado por uma Junta de RegĂȘncia que Junot logo dissolveu.

Com a presença da FamĂ­lia Real Portuguesa no Brasil a partir de 1808, registrou-se o que alguns historiadores brasileiros denominam de "inversĂŁo metropolitana", ou seja, o aparelho de Estado PortuguĂȘs passou a operar a partir do Brasil, que desse modo deixou de ser uma "colĂŽnia" e assumiu efetivamente as funçÔes de metrĂłpole.

A Revolução liberal do Porto (1820)



Ver artigo principal: Revolução liberal do Porto

O passo seguinte, que conduziu Ă  independĂȘncia do Brasil, ocorreu com a eclosĂŁo da Revolução liberal do Porto (24 de agosto de 1820), que impĂŽs o regresso de D. JoĂŁo VI a seu paĂ­s, visando forçar o retorno do chamado Pacto Colonial. A notĂ­cia do movimento chegou ao Rio de Janeiro em 12 de outubro, causando intensa comoção.

Reflexos no ParĂĄ






As Cortes portuguesas em 1822.



O movimento liberal do Porto jĂĄ havia sido acolhido com entusiasmo na Ilha da Madeira e no arquipĂ©lago dos Açores quando a notĂ­cia chegou, a 1 de dezembro, a BelĂ©m do ParĂĄ. Como a provĂ­ncia estava entregue a uma Junta interina, essa circunstĂąncia facilitou um pronunciamento de apoio entusiĂĄstico Ă  causa constitucional. A bordo da mesma embarcação que trouxe a notĂ­cia, as Novas Amazonas, veio o estudante Filipe Patroni, que desafrontado e ardente, "logo alcançou o concurso dos chefes militares, coronĂ©is JoĂŁo Pereira Vilaça e Francisco JosĂ© Rodrigues Barata"[carece de fontes]. Este Ășltimo, no dia 1 de janeiro de 1821, em nome do povo e da tropa proclamou a Constituição que iria ser elaborada pelas Cortes portuguesas. Desse modo, foi eleita por aclamação uma Junta Constitucional provisĂłria de nove membros, dando-se comunicação ao Rio de Janeiro. Filipe Patroni e Domingos SimĂ”es Cunha foram eleitos procuradores da provĂ­ncia e encarregados de representar, perante as Cortes e a Junta Suprema, os interesses da ProvĂ­ncia do ParĂĄ.[carece de fontes]

Reflexos na provĂ­ncia da Bahia



Ver artigo principal: IndependĂȘncia da Bahia

Incitada por Cipriano JosĂ© Barata de Almeida e JosĂ© Lino Coutinho, um levante registrou-se na Bahia a 21 de fevereiro de 1821. O presidente da provĂ­ncia, o conde da Palma, ordenou ao marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes, inspetor das tropas, que reunisse as tropas fiĂ©is. Desse modo, enfrentou os rebeldes com apenas cento e sessenta homens, pois a maior parte da tropa o abandonara. NĂŁo houve meio de os demover de constituir na Bahia uma Junta Constitucional ProvisĂłria, a exemplo de BelĂ©m, pela qual se manifestasse completa obediĂȘncia Ă s Cortes de Lisboa, jurando-se desde logo a Constituição. Palma cedeu, propondo ele mesmo os nomes das pessoas que formariam a Junta. E a Junta foi mais longe, dirigindo-se a Lisboa como se tal governo fosse jĂĄ o Ășnico legĂ­timo da monarquia e pedindo tropas portuguesas. Foram-lhe enviados 1.184 homens, a chamada LegiĂŁo Constitucional Lusitana. A Junta nomeou ainda o marechal LuĂ­s Paulino de Oliveira Pinto de França para o cargo de Governador das Armas e o coronel InĂĄcio LuĂ­s Madeira de Melo para o de inspetor das tropas, uma vez que Caldeira Brant acompanhara o conde da Palma ao Rio de Janeiro.

Reflexos na provĂ­ncia de Pernambuco


O presidente da provĂ­ncia de PernambucoLuĂ­s do Rego Barreto, tinha um cenĂĄrio difĂ­cil desde a Revolução de 1817, pois a terra ainda gemia com o "depravado e estĂșrdio despotismo", como refere Rocha Pombo em sua HistĂłria do Brasil. Animado com as mensagens de Lisboa e a convite da Junta da Bahia, mas temeroso de desaforos, conservou toda a plenitude da autoridade e dirigiu um manifesto ao povo, expondo as bases da Constituição que iria ser promulgada e convocando eleitores de todas as parĂłquias. Os pernambucanos receberam com desconfiança as promessas e votaram com independĂȘncia, elegendo as pessoas que lhes pareceram mais dignas, as quais "quase todas pertenciam mais ou menos ostensivamente aos vencidos de 1817".

A 29 de agosto de 1821 nomeou-se por aclamação uma Junta Provisional TemporĂĄria em Goiana, para contrabalançar outra, do partido portuguĂȘs, em Recife. Mesmo pedindo reforços Ă  ParaĂ­ba, Rego Barreto foi cercado, assinando a capitulação a 5 de outubro, junto Ă  povoação do Beberibe.

Reflexos na provĂ­ncia da ParaĂ­ba


A vitória dos pernambucanos ecoou na vizinha Paraíba, onde a 25 de outubro foi eleita uma Junta Governativa para administrar a província em nome da Constituição portuguesa.

Reflexos na provĂ­ncia do MaranhĂŁo


A provĂ­ncia do MaranhĂŁo era governada desde 1819 pelo marechal Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca. Este, sem poder deixar de admitir a autoridade de um Conselho Consultivo, conseguiu transformar em farsa a eleição da Junta no dia 13 de abril, sendo ele prĂłprio proclamado Governador provisĂłrio. Mandou, em seguida, deportar diversos patriotas, procedendo Ă  eleição de dois deputados Ă s Cortes de Lisboa. Posteriormente, no dia 15 de fevereiro de 1822 foi eleita uma Junta ProvisĂłria e o marechal embarcou de volta para Portugal.

A partida da famĂ­lia real






Pedro I do Brasil retratado por SimplĂ­cio Rodrigues de SĂĄ.



Pressionado pelo triunfo da revolução constitucionalista, o soberano retornou com a famĂ­lia real para Portugal, deixando como prĂ­ncipe regente no Brasil o seu primogĂȘnito, D. Pedro de AlcĂąntara.

As divergĂȘncias


NĂŁo se pode compreender o processo de independĂȘncia sem pensar no projeto recolonizador das Cortes portuguesas, a verdadeira origem da definição dos diversos grupos no Brasil. Embora o rompimento polĂ­tico com Portugal fosse o desejo da maioria dos brasileiros, havia muitas divergĂȘncias. No movimento emancipacionista havia grupos sociais distintos: a aristocracia rural do Sudeste brasileiro, as camadas populares urbanas liberais radicais, e, por fim, a aristocracia rural do Norte e Nordeste, que defendiam o federalismo e atĂ© o separatismo.

A aristocracia rural do Sudeste, a mais poderosa, era conservadora, lutando pela independĂȘncia, defendendo a unidade territorial, a escravidĂŁo e seus privilĂ©gios de classe. Os liberais radicais queriam a independĂȘncia e a democratização da sociedade, mas seus chefes, Joaquim Gonçalves Ledo eJosĂ© Clemente Pereira, permaneceram atrelados Ă  aristocracia rural, sem revelar vocação revolucionĂĄria. A aristocracia rural do norte e nordeste enfrentava a forte resistĂȘncia dos comerciantes e militares portugueses, JosuĂ© fortes no ParĂĄ, MaranhĂŁo e Bahia. AlĂ©m disso, desconfiavam da polĂ­tica centralizadora de JosĂ© BonifĂĄcio.

O partido portuguĂȘs no Brasil chamado por vezes de "os pĂ©s de chumbo", estava do lado das Cortes; o partido brasileiro e os liberais radicais eram contra elas, mas divergiam quanto aos objetivos. Para o partido brasileiro, o ideal era a criação de uma monarquia dual (Brasil e Portugal) para preservar a autonomia administrativa e a liberdade de comĂ©rcio. Mas a intransigĂȘncia das Cortes Portuguesas, que nada tinham de liberais, fez o partido inclinar-se pela emancipação, sem alterar a ordem social vigente e os seus privilĂ©gios adquiridos. JĂĄ os liberais radicais formavam um agrupamento quase revolucionĂĄrio, bem prĂłximo das camadas populares urbanas, sendo alguns de seus membros republicanos. No conjunto, tratava-se do grupo mais receptivo Ă s mudanças mais profundas e democrĂĄticas da sociedade.

A concretização das aspiraçÔes de cada um desses agrupamentos era distinta. Os grandes proprietĂĄrios rurais ligados ao partido brasileiro dispunham dos meios efetivos para a realização de seus objetivos. O anseio por um comĂ©rcio livre de entraves mercantilistas encontrava apoio em forças internacionais, lideradas pela burguesia britĂąnica. A sĂłlida base econĂŽmica e social escravista garantia ainda os recursos materiais para resistir com ĂȘxito Ă  provĂĄvel ameaça recolonizadora de Lisboa.

Na disputa contra os conservadores, os radicais cometeram o erro de reduzir a questĂŁo Ă  luta pela influĂȘncia sobre o PrĂ­ncipe Regente. Era inevitĂĄvel que este preferisse os conservadores. Ademais, os conservadores encontraram em JosĂ© BonifĂĄcio de Andrada e Silva um lĂ­der bem preparado para dar Ă  independĂȘncia a forma que convinha Ă s camadas dominantes.

O "Fico" e o "Cumpra-se"






JosĂ© BonifĂĄcio de Andrada e Silva, o Patriarca da IndependĂȘncia.



A situação do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821. Em 9 de dezembro, chegaram ao Rio de Janeiro os decretos das Cortes que determinavam a abolição da RegĂȘncia e o imediato retorno de D. Pedro de AlcĂąntara a Portugal, a obediĂȘncia das provĂ­ncias a Lisboa (e nĂŁo mais ao Rio de Janeiro), a extinção dos tribunais do Rio de Janeiro. O PrĂ­ncipe Regente começou a fazer os preparativos para o seu regresso, mas estava instaurada uma enorme inquietação. O partido brasileiro ficou alarmado com a recolonização e com a possibilidade de uma explosĂŁo revolucionĂĄria. A nova conjuntura favoreceu a polarização: de um lado o partido portuguĂȘs e do outro, o partido brasileiro com os liberais radicais, que passaram a agir pela independĂȘncia.

Sondado, o PrĂ­ncipe Regente mostrou-se receptivo. Foram entĂŁo enviados emissĂĄrios Ă s provĂ­ncias de Minas Gerais e de SĂŁo Paulo para obter a adesĂŁo Ă  causa emancipacionista, com resultados positivos.

A decisĂŁo do prĂ­ncipe de desafiar as Cortes decorreu de um amplo movimento, no qual se destacou JosĂ© BonifĂĄcio. Membro do governo provisĂłrio de SĂŁo Paulo, escrevera em 24 de dezembro de 1821 uma carta a D. Pedro, na qual criticava a decisĂŁo das Cortes de Lisboa e chamava a atenção para o papel reservado ao PrĂ­ncipe na crise. D. Pedro divulgou a carta, publicada na Gazeta do Rio de Janeiro de 8 de janeiro de 1822 com grande repercussĂŁo. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada pelo prĂłprio JosĂ© BonifĂĄcio, para entregar ao PrĂ­ncipe a representação paulista. No mesmo dia, D. Pedro nomeou JosĂ© BonifĂĄcio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo de forte significado simbĂłlico: pela primeira vez na HistĂłria o cargo era ocupado por um brasileiro.

No Rio de Janeiro tambĂ©m havia sido elaborada uma representação (com coleta de assinaturas) em que se pedia a permanĂȘncia de D. Pedro de AlcĂąntara no Brasil. O documento foi entregue ao PrĂ­ncipe em 9 de janeiro de 1822 pelo Senado da CĂąmara do Rio de Janeiro. Em resposta, o PrĂ­ncipe Regente decidiu desobedecer Ă s ordens das Cortes e permanecer no Brasil, pronunciando a cĂ©lebre frase "Se Ă© para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico!". O episĂłdio tornou-se conhecido como "Dia do Fico".

D. Pedro ganhou forte apoio popular com a decisĂŁo do "Fico". Para resistir Ă s ameaças de recolonização foi decretada, em 16 de fevereiro de 1822, a convocação de um Conselho de Procuradores Gerais das ProvĂ­ncias do Brasil. Teoricamente, este ĂłrgĂŁo tinha por finalidade auxiliar o PrĂ­ncipe mas, na prĂĄtica, tratava-se de uma manobra dos conservadores, liderados por JosĂ© BonifĂĄcio, contra os radicais, representados por Joaquim Gonçalves Ledo, um funcionĂĄrio pĂșblico para quem a preservação da unidade polĂ­tico-territorial do Brasil deveria ser feita convocando-se uma AssemblĂ©ia Constituinte eleita pelo povo. A finalidade do Conselho era, na prĂĄtica, a de manter a unidade sob controle do poder central e dos conservadores.

Em maio, a cisĂŁo entre D. Pedro e as Cortes aprofundou-se: o Regente determinou que qualquer decreto das Cortes sĂł poderia ser executado mediante o "Cumpra-se" assinado por ele, o que equivalia a conferir plena soberania ao Brasil. A medida teve imediato apoio: quando dos festejos pelo aniversĂĄrio de JoĂŁo VI de Portugal, a 13 de maio, o Senado da CĂąmara do Rio de Janeiro pediu ao PrĂ­ncipe Regente que aceitasse para si e para seus descendentes o tĂ­tulo de "Defensor PerpĂ©tuo do Brasil".

Neste contexto, houve uma investida militar da DivisĂŁo Auxiliadora, unidade de linha do ExĂ©rcito PortuguĂȘs estacionada na cidade do Rio de Janeiro, sob o comando do Tenente-general Jorge de Avilez, que acabou sendo expulso do Brasil com as suas tropas, apĂłs ter se confrontado com as tropas da DivisĂŁo Militar da Guarda Real de PolĂ­cia (embriĂŁo da atual PolĂ­cia Militar do Estado do Rio de Janeiro), leais a D. Pedro.

Os liberais radicais mantinham-se ativos: por iniciativa de Gonçalves Ledo, uma representação foi dirigida a D. Pedro para expor a conveniĂȘncia de se convocar uma AssemblĂ©ia Constituinte. O PrĂ­ncipe decretou a convocação em 13 de junho de 1822. A pressĂŁo popular levaria a convocação adiante, dando continuidade ao processo.

JosĂ© BonifĂĄcio resistiu Ă  ideia de convocar a Constituinte, mas foi obrigado a aceitĂĄ-la. Procurou descaracterizĂĄ-la, propondo a eleição indireta, que acabou prevalecendo contra a vontade dos liberais radicais, que defendiam a eleição direta. Embora os conservadores tenham obtido o controle da situação e o texto da convocação da Constituinte apresentasse declaraçÔes favorĂĄveis Ă  permanĂȘncia da uniĂŁo entre Brasil e Portugal, as Cortes de Lisboa insistiam: o PrĂ­ncipe Regente deveria retornar imediatamente.

A declaração de IndependĂȘncia






IndependĂȘncia do Brasil: Ăłleo sobre tela por François-RenĂ© Moreaux (Museu Imperial de PetrĂłpolis). Foi executado em 1844, a pedido do Senado Imperial.



No final de agosto de 1822, D. Pedro deslocou-se Ă  provĂ­ncia de SĂŁo Paulo para acalmar a situação depois de uma rebeliĂŁo contra JosĂ© BonifĂĄcio. Apesar de ter servido de instrumento dos interesses da aristocracia rural, Ă  qual convinha a solução monĂĄrquica para a independĂȘncia, nĂŁo se deve desprezar os seus prĂłprios interesses. O PrĂ­ncipe tinha formação absolutista e por isso se opusera Ă  Revolução do Porto, de carĂĄter liberal. Da mesma forma, a polĂ­tica recolonizadora das Cortes desagradou Ă  opiniĂŁo pĂșblica brasileira. E foi nisso que se baseou a aliança entre D. Pedro e o "partido brasileiro". Assim, embora a independĂȘncia do Brasil possa ser vista, objetivamente, como obra da aristocracia rural, Ă© preciso considerar que teve inĂ­cio como compromisso entre o conservadorismo da aristocracia rural e o absolutismo do PrĂ­ncipe.




Monumento Ă  independĂȘncia, no Parque da IndependĂȘncia, em SĂŁo Paulo, o local onde foi proclamada a independĂȘncia do Brasil.



Em 7 de setembro, ao voltar de Santos, parado Ă s margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e Ă s Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de JosĂ© BonifĂĄcio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra da esposa, Maria Leopoldina de Áustria, apoiando a decisĂŁo do ministro e advertindo: "O pomo estĂĄ maduro, colhe-o jĂĄ, senĂŁo apodrece".

Impelido pelas circunstĂąncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "IndependĂȘncia ou Morte!", rompendo os laços de uniĂŁo polĂ­tica com Portugal.

Culminando o longo processo da emancipação, a 12 de outubro de 1822, o Príncipe foi aclamado Imperador com o título de D. Pedro I, sendo coroado em 1 de dezembro na capital.

A guerra da IndependĂȘncia









PrĂ­ncipe Pedro (direita) ordena o oficial portuguĂȘs Jorge Avilez(esquerda) retornar a Portugal apĂłs sua rebeliĂŁo malsucedida. JosĂ© BonifĂĄcio(em roupas civis) pode ser visto ao lado do prĂ­ncipe.



Consolidado o processo na regiĂŁo Sudeste do Brasil, a independĂȘncia das demais regiĂ”es da AmĂ©rica Portuguesa foi conquistada com relativa rapidez. Contribuiu para isso o apoio diplomĂĄtico e financeiro da GrĂŁ-Bretanha. Sem um ExĂ©rcito e sem uma Marinha de Guerra, tornou-se necessĂĄrio recrutar mercenĂĄrios e oficiais estrangeiros para comandĂĄ-los, do mesmo modo que adquirir meios.

Desse modo, foi sufocada a resistĂȘncia portuguesa na provĂ­ncia da Bahia, na do MaranhĂŁo, na do PiauĂ­ e na do ParĂĄ.

O processo militar estava concluĂ­do jĂĄ em 1823, restando encaminhar a negociação diplomĂĄtica do reconhecimento da independĂȘncia com as monarquias europĂ©ias.

ConsequĂȘncias






FIAV historical.svg Bandeira do ImpĂ©rio do Brasil durante o Primeiro Reinado.



À semelhança do processo de independĂȘncia de outros paĂ­ses latino-americanos, o de independĂȘncia do Brasil preservou o status quo das elites agroexportadoras, que conservaram e ampliaram os seus privilĂ©gios polĂ­ticos, econĂŽmicos e sociais.

Ao contrĂĄrio do ideĂĄrio do Iluminismo, e do que desejava, por exemplo, JosĂ© BonifĂĄcio de Andrada e Silva, aescravidĂŁo foi mantida, assim como os latifĂșndios, a produção de gĂȘneros primĂĄrios voltada para a exportação e o modelo de governo monĂĄrquico.

O Brasil negociou com a GrĂŁ-Bretanha e aceitou pagar indenizaçÔes de 2 milhĂ”es de libras esterlinas a Portugal. A GrĂŁ-Bretanha saiu lucrando, tendo inĂ­cio o endividamento externo do Brasil. Quando D. JoĂŁo VI retornou a Lisboa, por ordem das Cortes, levou todo o dinheiro que podia — calcula-se que 50 milhĂ”es de cruzados, apesar de ter deixado no Brasil a sua prataria e a enorme biblioteca, com obras raras que compĂ”em hoje o acervo da Biblioteca Nacional. Em conseqĂŒĂȘncia da leva deste dinheiro para Portugal, o Banco do Brasil, fundado por D. JoĂŁo ainda 1808, veio a falir em 1829.

ConsideraçÔes historiogråficas











IndependĂȘncia ou Morte!
— Pedro, regente do Brasil, futuro imperador do Brasil, 7 de setembro de 1822



1000 Réis de 1922.png1000 Réis de 1922 (verso).png

Moeda de 1000 rĂ©is de 1922 comemorando a independĂȘncia.



A data comemorada oficialmente para a IndependĂȘncia do Brasil Ă© 7 de setembro de 1822, dia em que, Ă s margens do riacho Ipiranga, emSĂŁo Paulo, o PrĂ­ncipe Regente D. Pedro, ao receber a correspondĂȘncia da Corte, teria proclamado o chamado "grito da IndependĂȘncia", Ă  frente da sua escolta: "IndependĂȘncia ou Morte!"

Outras datas consideradas historiograficamente para o evento, embora menos populares, sĂŁo a data da coroação do Imperador (1 de dezembro de 1822) ou mesmo a do reconhecimento da IndependĂȘncia por Portugal e pela GrĂŁ-Bretanha (29 de agosto de 1825). À Ă©poca, em 1822, a data tomada como marco da IndependĂȘncia foi o 12 de outubro, dia do aniversĂĄrio de Pedro I e de sua aclamação como imperador, conforme registrado pela historiadora Maria de Lourdes Viana Lyra, titular do Instituto HistĂłrico e GeogrĂĄfico Brasileiro, e publicadas em 1995. A conclusĂŁo de seu estudo indica que o "grito" foi uma construção "a posteriori" e que acabou consolidado no quadro encomendado a Pedro AmĂ©rico, produto da fĂ©rtil imaginação do pintor, onde, entre outras incoerĂȘncias, mostra D. Pedro cercado pela Guarda Imperial (os hoje chamados de DragĂ”es da IndependĂȘncia), antes dele ser proclamado Imperador.[1].

Durante um tempo, D.Pedro seguiu ordens da corte portuguesa, mas acabou percebendo que as leis vindas de Portugal pretendiam transformar o Brasil novamente em uma simples colĂŽnia.

Os polĂ­ticos portugueses exigiram que D. Pedro voltasse imediatamente para Portugal.
No Brasil, os defensores da independĂȘncia iniciaram uma campanha pedindo que o prĂ­ncipe regente permanecesse em nossa terra.

No dia 9 de janeiro de 1822, D. Pedro recebeu um abaixo-assinado pedindo-lhe que ficasse. Ele atendeu ao desejo do povo declarando: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação diga ao povo que fico".

Com esse ato, D.Pedro atendeu aos interesses dos ricos fazendeiros brasileiros.
D.Pedro permaneceu no Brasil e esse dia passou para a nossa histĂłria como o Dia do Fico.
Os brasileiros continuaram em campanha polĂ­tica para que o Brasil se tornasse independente de Portugal.

No dia 7 de setembro de 1822, D.Pedro fez uma declaração oficial de independĂȘncia,afirmando assim seu acordo com os brasileiros. Nos meses seguintes, os brasileiros venceram facilmente o ataque das tropas portuguesas, com apoio inglĂȘs. Em pouco tempo, vĂĄrios paĂ­ses da AmĂ©rica, que jĂĄ haviam se libertado do domĂ­nio europeu, apoiaram oficialmente nossa independĂȘncia.
D.Pedro tornou-se o primeiro imperador do Brasil, com o tĂ­tulo de D.Pedro I.
O Brasil passou a ser uma monarquia, uma forma de governo em que os poderes sĂŁo exercidos pelo imperador ou rei.

Clique aqui para ver o Hino da IndependĂȘncia.



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