A moderna historiografia em histĂłria do Brasil remete o inĂcio do processo de independĂȘncia Ă transferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil, no contexto da Guerra Peninsular, a partir de 1808].
A transferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil (1807-1821)
Ver artigo principal: TransferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil
TransferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil, em 27 de novembro de 1807.Gravura de Henri l'ĂvĂȘque (1768-1845).
A partir de 15 de julho de 1799, o PrĂncipe do Brasil, D. JoĂŁo Maria de Bragança, tornou-se PrĂncipe-regente de Portugal, pois sua mĂŁe, a Rainha D. Maria I, foi declarada louca pelos mĂ©dicos. Os acontecimentos na Europa, onde NapoleĂŁo Bonaparte se afirmava, sucederam-se com velocidade crescente.
Desde 1801 que se considerava a ideia da transferĂȘncia da corte portuguesa para o Brasil. As facçÔes no governo portuguĂȘs, entretanto, se dividiam:
- a facção anglĂłfila, partidĂĄria de uma polĂtica de preservação do ImpĂ©rio Colonial PortuguĂȘs e do prĂłprio Reino, atravĂ©s do mar, apoiados na antiga aliança Luso-BritĂąnica; e
- a facção francĂłfila, que considerava que a neutralidade sĂł poderia ser obtida atravĂ©s de uma polĂtica de aproximação com a França.
Ambas eram apoiadas pelas lojas maçÎnicas quer de origem inglesa, quer de origem francesa. Considere-se ainda que as ideias iluministas francesas circulavam clandestinamente em livros, cada vez mais abundantes.
A decretação do Bloqueio Continental em Berlim (1806) tornou mais difĂcil a neutralidade Portuguesa. Em 1807, o Tratado de Fontainebleau dividiu arbitrariamente Portugal em trĂȘs reinos. Desde Outubro desse ano, Jean-Andoche Junot, antigo embaixador francĂȘs em Lisboa, preparava-se para invadir Portugal. Foi nesse contexto que D. JoĂŁo pactuou com a GrĂŁ-Bretanha a transferĂȘncia do governo para o Rio de Janeiro, sob a proteção dos Ășltimos.
Com a invasĂŁo francesa de Portugal em progresso, a 29 de novembro de 1807 iniciou-se a viagem da FamĂlia Real e da Corte Portuguesa. Dezoito navios de guerra portugueses e treze ingleses escoltaram mais de vinte e cinco navios mercantes de Lisboa atĂ© Ă costa do Brasil. A bordo seguiam mais de quinze mil portugueses. O Reino ficava a ser governado por uma Junta de RegĂȘncia que Junot logo dissolveu.
Com a presença da FamĂlia Real Portuguesa no Brasil a partir de 1808, registrou-se o que alguns historiadores brasileiros denominam de "inversĂŁo metropolitana", ou seja, o aparelho de Estado PortuguĂȘs passou a operar a partir do Brasil, que desse modo deixou de ser uma "colĂŽnia" e assumiu efetivamente as funçÔes de metrĂłpole.
A Revolução liberal do Porto (1820)
Ver artigo principal: Revolução liberal do Porto
Reflexos no ParĂĄ
O movimento liberal do Porto jĂĄ havia sido acolhido com entusiasmo na Ilha da Madeira e no arquipĂ©lago dos Açores quando a notĂcia chegou, a 1 de dezembro, a BelĂ©m do ParĂĄ. Como a provĂncia estava entregue a uma Junta interina, essa circunstĂąncia facilitou um pronunciamento de apoio entusiĂĄstico Ă causa constitucional. A bordo da mesma embarcação que trouxe a notĂcia, as Novas Amazonas, veio o estudante Filipe Patroni, que desafrontado e ardente, "logo alcançou o concurso dos chefes militares, coronĂ©is JoĂŁo Pereira Vilaça e Francisco JosĂ© Rodrigues Barata"[carece de fontes]. Este Ășltimo, no dia 1 de janeiro de 1821, em nome do povo e da tropa proclamou a Constituição que iria ser elaborada pelas Cortes portuguesas. Desse modo, foi eleita por aclamação uma Junta Constitucional provisĂłria de nove membros, dando-se comunicação ao Rio de Janeiro. Filipe Patroni e Domingos SimĂ”es Cunha foram eleitos procuradores da provĂncia e encarregados de representar, perante as Cortes e a Junta Suprema, os interesses da ProvĂncia do ParĂĄ.[carece de fontes]
Reflexos na provĂncia da Bahia
Ver artigo principal: IndependĂȘncia da Bahia
Reflexos na provĂncia de Pernambuco
O presidente da provĂncia de Pernambuco, LuĂs do Rego Barreto, tinha um cenĂĄrio difĂcil desde a Revolução de 1817, pois a terra ainda gemia com o "depravado e estĂșrdio despotismo", como refere Rocha Pombo em sua HistĂłria do Brasil. Animado com as mensagens de Lisboa e a convite da Junta da Bahia, mas temeroso de desaforos, conservou toda a plenitude da autoridade e dirigiu um manifesto ao povo, expondo as bases da Constituição que iria ser promulgada e convocando eleitores de todas as parĂłquias. Os pernambucanos receberam com desconfiança as promessas e votaram com independĂȘncia, elegendo as pessoas que lhes pareceram mais dignas, as quais "quase todas pertenciam mais ou menos ostensivamente aos vencidos de 1817".
A 29 de agosto de 1821 nomeou-se por aclamação uma Junta Provisional TemporĂĄria em Goiana, para contrabalançar outra, do partido portuguĂȘs, em Recife. Mesmo pedindo reforços Ă ParaĂba, Rego Barreto foi cercado, assinando a capitulação a 5 de outubro, junto Ă povoação do Beberibe.
Reflexos na provĂncia da ParaĂba
A vitĂłria dos pernambucanos ecoou na vizinha ParaĂba, onde a 25 de outubro foi eleita uma Junta Governativa para administrar a provĂncia em nome da Constituição portuguesa.
Reflexos na provĂncia do MaranhĂŁo
A provĂncia do MaranhĂŁo era governada desde 1819 pelo marechal Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca. Este, sem poder deixar de admitir a autoridade de um Conselho Consultivo, conseguiu transformar em farsa a eleição da Junta no dia 13 de abril, sendo ele prĂłprio proclamado Governador provisĂłrio. Mandou, em seguida, deportar diversos patriotas, procedendo Ă eleição de dois deputados Ă s Cortes de Lisboa. Posteriormente, no dia 15 de fevereiro de 1822 foi eleita uma Junta ProvisĂłria e o marechal embarcou de volta para Portugal.
A partida da famĂlia real
Pressionado pelo triunfo da revolução constitucionalista, o soberano retornou com a famĂlia real para Portugal, deixando como prĂncipe regente no Brasil o seu primogĂȘnito, D. Pedro de AlcĂąntara.
As divergĂȘncias
NĂŁo se pode compreender o processo de independĂȘncia sem pensar no projeto recolonizador das Cortes portuguesas, a verdadeira origem da definição dos diversos grupos no Brasil. Embora o rompimento polĂtico com Portugal fosse o desejo da maioria dos brasileiros, havia muitas divergĂȘncias. No movimento emancipacionista havia grupos sociais distintos: a aristocracia rural do Sudeste brasileiro, as camadas populares urbanas liberais radicais, e, por fim, a aristocracia rural do Norte e Nordeste, que defendiam o federalismo e atĂ© o separatismo.
A aristocracia rural do Sudeste, a mais poderosa, era conservadora, lutando pela independĂȘncia, defendendo a unidade territorial, a escravidĂŁo e seus privilĂ©gios de classe. Os liberais radicais queriam a independĂȘncia e a democratização da sociedade, mas seus chefes, Joaquim Gonçalves Ledo eJosĂ© Clemente Pereira, permaneceram atrelados Ă aristocracia rural, sem revelar vocação revolucionĂĄria. A aristocracia rural do norte e nordeste enfrentava a forte resistĂȘncia dos comerciantes e militares portugueses, JosuĂ© fortes no ParĂĄ, MaranhĂŁo e Bahia. AlĂ©m disso, desconfiavam da polĂtica centralizadora de JosĂ© BonifĂĄcio.
O partido portuguĂȘs no Brasil chamado por vezes de "os pĂ©s de chumbo", estava do lado das Cortes; o partido brasileiro e os liberais radicais eram contra elas, mas divergiam quanto aos objetivos. Para o partido brasileiro, o ideal era a criação de uma monarquia dual (Brasil e Portugal) para preservar a autonomia administrativa e a liberdade de comĂ©rcio. Mas a intransigĂȘncia das Cortes Portuguesas, que nada tinham de liberais, fez o partido inclinar-se pela emancipação, sem alterar a ordem social vigente e os seus privilĂ©gios adquiridos. JĂĄ os liberais radicais formavam um agrupamento quase revolucionĂĄrio, bem prĂłximo das camadas populares urbanas, sendo alguns de seus membros republicanos. No conjunto, tratava-se do grupo mais receptivo Ă s mudanças mais profundas e democrĂĄticas da sociedade.
A concretização das aspiraçÔes de cada um desses agrupamentos era distinta. Os grandes proprietĂĄrios rurais ligados ao partido brasileiro dispunham dos meios efetivos para a realização de seus objetivos. O anseio por um comĂ©rcio livre de entraves mercantilistas encontrava apoio em forças internacionais, lideradas pela burguesia britĂąnica. A sĂłlida base econĂŽmica e social escravista garantia ainda os recursos materiais para resistir com ĂȘxito Ă provĂĄvel ameaça recolonizadora de Lisboa.
Na disputa contra os conservadores, os radicais cometeram o erro de reduzir a questĂŁo Ă luta pela influĂȘncia sobre o PrĂncipe Regente. Era inevitĂĄvel que este preferisse os conservadores. Ademais, os conservadores encontraram em JosĂ© BonifĂĄcio de Andrada e Silva um lĂder bem preparado para dar Ă independĂȘncia a forma que convinha Ă s camadas dominantes.
O "Fico" e o "Cumpra-se"
A situação do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821. Em 9 de dezembro, chegaram ao Rio de Janeiro os decretos das Cortes que determinavam a abolição da RegĂȘncia e o imediato retorno de D. Pedro de AlcĂąntara a Portugal, a obediĂȘncia das provĂncias a Lisboa (e nĂŁo mais ao Rio de Janeiro), a extinção dos tribunais do Rio de Janeiro. O PrĂncipe Regente começou a fazer os preparativos para o seu regresso, mas estava instaurada uma enorme inquietação. O partido brasileiro ficou alarmado com a recolonização e com a possibilidade de uma explosĂŁo revolucionĂĄria. A nova conjuntura favoreceu a polarização: de um lado o partido portuguĂȘs e do outro, o partido brasileiro com os liberais radicais, que passaram a agir pela independĂȘncia.
Sondado, o PrĂncipe Regente mostrou-se receptivo. Foram entĂŁo enviados emissĂĄrios Ă s provĂncias de Minas Gerais e de SĂŁo Paulo para obter a adesĂŁo Ă causa emancipacionista, com resultados positivos.
A decisĂŁo do prĂncipe de desafiar as Cortes decorreu de um amplo movimento, no qual se destacou JosĂ© BonifĂĄcio. Membro do governo provisĂłrio de SĂŁo Paulo, escrevera em 24 de dezembro de 1821 uma carta a D. Pedro, na qual criticava a decisĂŁo das Cortes de Lisboa e chamava a atenção para o papel reservado ao PrĂncipe na crise. D. Pedro divulgou a carta, publicada na Gazeta do Rio de Janeiro de 8 de janeiro de 1822 com grande repercussĂŁo. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada pelo prĂłprio JosĂ© BonifĂĄcio, para entregar ao PrĂncipe a representação paulista. No mesmo dia, D. Pedro nomeou JosĂ© BonifĂĄcio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo de forte significado simbĂłlico: pela primeira vez na HistĂłria o cargo era ocupado por um brasileiro.
No Rio de Janeiro tambĂ©m havia sido elaborada uma representação (com coleta de assinaturas) em que se pedia a permanĂȘncia de D. Pedro de AlcĂąntara no Brasil. O documento foi entregue ao PrĂncipe em 9 de janeiro de 1822 pelo Senado da CĂąmara do Rio de Janeiro. Em resposta, o PrĂncipe Regente decidiu desobedecer Ă s ordens das Cortes e permanecer no Brasil, pronunciando a cĂ©lebre frase "Se Ă© para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico!". O episĂłdio tornou-se conhecido como "Dia do Fico".
D. Pedro ganhou forte apoio popular com a decisĂŁo do "Fico". Para resistir Ă s ameaças de recolonização foi decretada, em 16 de fevereiro de 1822, a convocação de um Conselho de Procuradores Gerais das ProvĂncias do Brasil. Teoricamente, este ĂłrgĂŁo tinha por finalidade auxiliar o PrĂncipe mas, na prĂĄtica, tratava-se de uma manobra dos conservadores, liderados por JosĂ© BonifĂĄcio, contra os radicais, representados por Joaquim Gonçalves Ledo, um funcionĂĄrio pĂșblico para quem a preservação da unidade polĂtico-territorial do Brasil deveria ser feita convocando-se uma AssemblĂ©ia Constituinte eleita pelo povo. A finalidade do Conselho era, na prĂĄtica, a de manter a unidade sob controle do poder central e dos conservadores.
Em maio, a cisĂŁo entre D. Pedro e as Cortes aprofundou-se: o Regente determinou que qualquer decreto das Cortes sĂł poderia ser executado mediante o "Cumpra-se" assinado por ele, o que equivalia a conferir plena soberania ao Brasil. A medida teve imediato apoio: quando dos festejos pelo aniversĂĄrio de JoĂŁo VI de Portugal, a 13 de maio, o Senado da CĂąmara do Rio de Janeiro pediu ao PrĂncipe Regente que aceitasse para si e para seus descendentes o tĂtulo de "Defensor PerpĂ©tuo do Brasil".
Neste contexto, houve uma investida militar da DivisĂŁo Auxiliadora, unidade de linha do ExĂ©rcito PortuguĂȘs estacionada na cidade do Rio de Janeiro, sob o comando do Tenente-general Jorge de Avilez, que acabou sendo expulso do Brasil com as suas tropas, apĂłs ter se confrontado com as tropas da DivisĂŁo Militar da Guarda Real de PolĂcia (embriĂŁo da atual PolĂcia Militar do Estado do Rio de Janeiro), leais a D. Pedro.
Os liberais radicais mantinham-se ativos: por iniciativa de Gonçalves Ledo, uma representação foi dirigida a D. Pedro para expor a conveniĂȘncia de se convocar uma AssemblĂ©ia Constituinte. O PrĂncipe decretou a convocação em 13 de junho de 1822. A pressĂŁo popular levaria a convocação adiante, dando continuidade ao processo.
JosĂ© BonifĂĄcio resistiu Ă ideia de convocar a Constituinte, mas foi obrigado a aceitĂĄ-la. Procurou descaracterizĂĄ-la, propondo a eleição indireta, que acabou prevalecendo contra a vontade dos liberais radicais, que defendiam a eleição direta. Embora os conservadores tenham obtido o controle da situação e o texto da convocação da Constituinte apresentasse declaraçÔes favorĂĄveis Ă permanĂȘncia da uniĂŁo entre Brasil e Portugal, as Cortes de Lisboa insistiam: o PrĂncipe Regente deveria retornar imediatamente.
A declaração de IndependĂȘncia
IndependĂȘncia do Brasil: Ăłleo sobre tela por François-RenĂ© Moreaux (Museu Imperial de PetrĂłpolis). Foi executado em 1844, a pedido do Senado Imperial.
No final de agosto de 1822, D. Pedro deslocou-se Ă provĂncia de SĂŁo Paulo para acalmar a situação depois de uma rebeliĂŁo contra JosĂ© BonifĂĄcio. Apesar de ter servido de instrumento dos interesses da aristocracia rural, Ă qual convinha a solução monĂĄrquica para a independĂȘncia, nĂŁo se deve desprezar os seus prĂłprios interesses. O PrĂncipe tinha formação absolutista e por isso se opusera Ă Revolução do Porto, de carĂĄter liberal. Da mesma forma, a polĂtica recolonizadora das Cortes desagradou Ă opiniĂŁo pĂșblica brasileira. E foi nisso que se baseou a aliança entre D. Pedro e o "partido brasileiro". Assim, embora a independĂȘncia do Brasil possa ser vista, objetivamente, como obra da aristocracia rural, Ă© preciso considerar que teve inĂcio como compromisso entre o conservadorismo da aristocracia rural e o absolutismo do PrĂncipe.
Monumento Ă independĂȘncia, no Parque da IndependĂȘncia, em SĂŁo Paulo, o local onde foi proclamada a independĂȘncia do Brasil.
Em 7 de setembro, ao voltar de Santos, parado Ă s margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e Ă s Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de JosĂ© BonifĂĄcio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra da esposa, Maria Leopoldina de Ăustria, apoiando a decisĂŁo do ministro e advertindo: "O pomo estĂĄ maduro, colhe-o jĂĄ, senĂŁo apodrece".
Impelido pelas circunstĂąncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "IndependĂȘncia ou Morte!", rompendo os laços de uniĂŁo polĂtica com Portugal.
Culminando o longo processo da emancipação, a 12 de outubro de 1822, o PrĂncipe foi aclamado Imperador com o tĂtulo de D. Pedro I, sendo coroado em 1 de dezembro na capital.
A guerra da IndependĂȘncia
Ver artigo principal: Guerra da independĂȘncia do Brasil
PrĂncipe Pedro (direita) ordena o oficial portuguĂȘs Jorge Avilez(esquerda) retornar a Portugal apĂłs sua rebeliĂŁo malsucedida. JosĂ© BonifĂĄcio(em roupas civis) pode ser visto ao lado do prĂncipe.
Consolidado o processo na regiĂŁo Sudeste do Brasil, a independĂȘncia das demais regiĂ”es da AmĂ©rica Portuguesa foi conquistada com relativa rapidez. Contribuiu para isso o apoio diplomĂĄtico e financeiro da GrĂŁ-Bretanha. Sem um ExĂ©rcito e sem uma Marinha de Guerra, tornou-se necessĂĄrio recrutar mercenĂĄrios e oficiais estrangeiros para comandĂĄ-los, do mesmo modo que adquirir meios.
Desse modo, foi sufocada a resistĂȘncia portuguesa na provĂncia da Bahia, na do MaranhĂŁo, na do PiauĂ e na do ParĂĄ.
O processo militar estava concluĂdo jĂĄ em 1823, restando encaminhar a negociação diplomĂĄtica do reconhecimento da independĂȘncia com as monarquias europĂ©ias.
ConsequĂȘncias
Ă semelhança do processo de independĂȘncia de outros paĂses latino-americanos, o de independĂȘncia do Brasil preservou o status quo das elites agroexportadoras, que conservaram e ampliaram os seus privilĂ©gios polĂticos, econĂŽmicos e sociais.
Ao contrĂĄrio do ideĂĄrio do Iluminismo, e do que desejava, por exemplo, JosĂ© BonifĂĄcio de Andrada e Silva, aescravidĂŁo foi mantida, assim como os latifĂșndios, a produção de gĂȘneros primĂĄrios voltada para a exportação e o modelo de governo monĂĄrquico.
O Brasil negociou com a GrĂŁ-Bretanha e aceitou pagar indenizaçÔes de 2 milhĂ”es de libras esterlinas a Portugal. A GrĂŁ-Bretanha saiu lucrando, tendo inĂcio o endividamento externo do Brasil. Quando D. JoĂŁo VI retornou a Lisboa, por ordem das Cortes, levou todo o dinheiro que podia — calcula-se que 50 milhĂ”es de cruzados, apesar de ter deixado no Brasil a sua prataria e a enorme biblioteca, com obras raras que compĂ”em hoje o acervo da Biblioteca Nacional. Em conseqĂŒĂȘncia da leva deste dinheiro para Portugal, o Banco do Brasil, fundado por D. JoĂŁo ainda 1808, veio a falir em 1829.
ConsideraçÔes historiogråficas
| “IndependĂȘncia ou Morte!” |
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A data comemorada oficialmente para a IndependĂȘncia do Brasil Ă© 7 de setembro de 1822, dia em que, Ă s margens do riacho Ipiranga, emSĂŁo Paulo, o PrĂncipe Regente D. Pedro, ao receber a correspondĂȘncia da Corte, teria proclamado o chamado "grito da IndependĂȘncia", Ă frente da sua escolta: "IndependĂȘncia ou Morte!"
Outras datas consideradas historiograficamente para o evento, embora menos populares, sĂŁo a data da coroação do Imperador (1 de dezembro de 1822) ou mesmo a do reconhecimento da IndependĂȘncia por Portugal e pela GrĂŁ-Bretanha (29 de agosto de 1825). Ă Ă©poca, em 1822, a data tomada como marco da IndependĂȘncia foi o 12 de outubro, dia do aniversĂĄrio de Pedro I e de sua aclamação como imperador, conforme registrado pela historiadora Maria de Lourdes Viana Lyra, titular do Instituto HistĂłrico e GeogrĂĄfico Brasileiro, e publicadas em 1995. A conclusĂŁo de seu estudo indica que o "grito" foi uma construção "a posteriori" e que acabou consolidado no quadro encomendado a Pedro AmĂ©rico, produto da fĂ©rtil imaginação do pintor, onde, entre outras incoerĂȘncias, mostra D. Pedro cercado pela Guarda Imperial (os hoje chamados de DragĂ”es da IndependĂȘncia), antes dele ser proclamado Imperador.[1].
Durante um tempo, D.Pedro seguiu ordens da corte portuguesa, mas acabou percebendo que as leis vindas de Portugal pretendiam transformar o Brasil novamente em uma simples colĂŽnia.
Os polĂticos portugueses exigiram que D. Pedro voltasse imediatamente para Portugal.
No Brasil, os defensores da independĂȘncia iniciaram uma campanha pedindo que o prĂncipe regente permanecesse em nossa terra.
No dia 9 de janeiro de 1822, D. Pedro recebeu um abaixo-assinado pedindo-lhe que ficasse. Ele atendeu ao desejo do povo declarando: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação diga ao povo que fico".
Com esse ato, D.Pedro atendeu aos interesses dos ricos fazendeiros brasileiros.
D.Pedro permaneceu no Brasil e esse dia passou para a nossa histĂłria como o Dia do Fico.
Os brasileiros continuaram em campanha polĂtica para que o Brasil se tornasse independente de Portugal.
No dia 7 de setembro de 1822, D.Pedro fez uma declaração oficial de independĂȘncia,afirmando assim seu acordo com os brasileiros. Nos meses seguintes, os brasileiros venceram facilmente o ataque das tropas portuguesas, com apoio inglĂȘs. Em pouco tempo, vĂĄrios paĂses da AmĂ©rica, que jĂĄ haviam se libertado do domĂnio europeu, apoiaram oficialmente nossa independĂȘncia.
D.Pedro tornou-se o primeiro imperador do Brasil, com o tĂtulo de D.Pedro I.
O Brasil passou a ser uma monarquia, uma forma de governo em que os poderes sĂŁo exercidos pelo imperador ou rei.
Clique aqui para ver o Hino da IndependĂȘncia.

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