Wagner aguardará decisão da Justiça sobre terreiro, mas promete interceder se necessário
O governador Jaques Wagner disse, na noite desta segunda-feira (10), que irá aguardar a decisão da Justiça sobre o pedido de desocupação do terreno onde funciona o terreiro de candomblé Ilê Axé Ayrá Izô, no bairro de Brotas, em Salvador. O local que abriga o templo religioso teria sido doado verbalmente pelo proprietário Antônio Gagliano, já falecido, em retribuição a graças alcançadas, sem qualquer registro de documentação. A área de 878 m² é alvo desde 1992 de uma disputa judicial entre os herdeiros, que ainda não chegaram a um acordo sobre o destino dos atuais ocupantes. Segundo o juiz Antônio Maron Agle Filho, da 11ª Vara Cível de Salvador, responsável por analisar o caso, a ação não especifica em momento algum que o espaço é destinado para o culto de religião de matriz africana. Com a ordem de despejo já expedida, os frequentadores e membros do movimento negro temem pela demolição da casa. "Caso a decisão não seja favorável ao terreiro, vou usar as minhas prerrogativas de governador para interceder", avisou Wagner, em discurso público, durante a 7ª edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, na Praça do Cruzeiro, no Pelourinho. No evento, na companhia da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), o chefe do Executivo estadual também assinou o decreto que cria a Comissão da Verdade na Bahia, que pretende investigar violações ocorridas por agentes do estado.
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